Os sonhos de Kalil foram por água abaixo?
Derrotado em 2024, ex-prefeito vê o projeto federal depender de uma chapa fragilizada e já encontra concorrência para 2028.
Kalil Baracat parecia ter um caminho político planejado: permanecer na Prefeitura de Várzea Grande, fortalecer seu grupo e ampliar o espaço no cenário estadual. Mas a primeira parte do roteiro terminou nas urnas.
Mesmo comandando a máquina municipal e contando com o apoio do tradicional grupo Campos, Kalil perdeu a reeleição para Flávia Moretti em 2024. A atual prefeita recebeu 68.760 votos, contra 61.005 do emedebista.
Sem a Prefeitura, surgiu um novo projeto: disputar uma vaga de deputado federal. Em março de 2026, o MDB apresentou Kalil como pré-candidato e afirmou que sua votação em Várzea Grande demonstrava chances reais de eleição.
O problema é que, enquanto Kalil preparava a mala para Brasília, o barco do MDB começou a perder justamente seus principais tripulantes.
Emanuelzinho deixou o partido e seguiu para o PSD. Juarez Costa desembarcou no Republicanos. Foram embora os dois deputados federais eleitos pelo MDB em Mato Grosso e os dois maiores puxadores de votos da antiga chapa.
A partir daí, o sonho federal de Kalil passou a depender não apenas dos votos que recebeu em Várzea Grande, mas da capacidade do MDB de construir uma nominata competitiva em todo o estado.
Em julho, a direção partidária ainda avaliava nomes para completar a composição. A relação divulgada tinha Kalil, Rosana Martinelli, Leandro Damiani, Wagner Ramos, Janira Laranjeira, Edileusa Mesquita e Baixinho Piovesan, enquanto outros dois candidatos ainda eram procurados no Vale do Araguaia.
Ainda não é possível afirmar definitivamente que o MDB ficará sem chapa federal, já que a composição precisa ser oficializada na convenção partidária. Mas uma coisa é preencher nove espaços no papel. Outra é encontrar votos para substituir Emanuelzinho e Juarez Costa.
Kalil pode até ser apresentado como líder da nova chapa. O difícil será liderar um barco que ainda procura remadores.
E o futuro também não parece oferecer uma cadeira reservada.
O senador Jayme Campos, principal padrinho político de Kalil, ainda defendia publicamente sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso em julho. Portanto, não está confirmado que tenha ficado fora da disputa estadual.
Para 2028, também não existe garantia de que Kalil será novamente o escolhido do grupo para disputar a Prefeitura de Várzea Grande. Informações de bastidores apontam que Jayme não pretende concorrer pessoalmente, mas poderia apoiar Kalil ou outro nome, como a desembargadora aposentada Maria Erotides.
Ou seja: Kalil perdeu a Prefeitura, depende de uma chapa federal fragilizada para chegar a Brasília e nem sequer possui exclusividade na fila para tentar retornar ao Paço Couto Magalhães.
Na política, perder uma eleição pode ser apenas uma curva. O problema começa quando, depois da curva, desaparecem a estrada, o veículo e até o motorista.
Por enquanto, os sonhos de Kalil ainda não afundaram oficialmente. Mas já estão com água acima da cintura.



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