Sistema só vale agora?
Vídeo resgata votação realizada sem o sistema e coloca a justificativa do presidente sob questionamento.
Parece que a memória política também pode precisar de uma atualização de sistema.
Ao ser questionado sobre o pedido de sessão extraordinária assinado por 14 vereadores de Várzea Grande, o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira, afirmou que a Casa está implantando um novo sistema e que, neste mês de recesso, estaria “sem sistema”.
O problema é que a justificativa técnica esbarra no próprio passado da Câmara.
Um vídeo que será apresentado junto à matéria mostra uma situação anterior em que os trabalhos legislativos seguiram mesmo diante de problemas no sistema. E essa não teria sido uma realidade isolada: falhas e dificuldades com o sistema da Câmara já foram motivo de reclamações em outras oportunidades, sem necessariamente impedir a realização das votações.
Ou seja: se antes a Câmara encontrou meios para deliberar mesmo sem o funcionamento normal do sistema, fica a pergunta que não quer calar: por que agora a falta de sistema virou obstáculo para uma sessão extraordinária?
O questionamento ganha ainda mais força porque o requerimento apresentado pelos vereadores reproduz o artigo 138 do Regimento Interno, que prevê a convocação extraordinária durante o recesso por maioria absoluta dos parlamentares, mediante ofício ao presidente, com reunião no mínimo dentro de 24 horas.
Na entrevista, Wanderley ainda declarou: “Não é só 14 vereadores. A Câmara é composta por 24 vereadores. Nós temos que reunir todos os vereadores”. O detalhe é que o próprio Regimento citado no requerimento fala em maioria absoluta, e não na concordância da totalidade dos membros da Casa.
No fim das contas, sistema pode cair, internet pode falhar e tecnologia pode dar dor de cabeça. Mas o Regimento Interno continua lá.
E, pelo visto, dessa vez a maior pane pode não estar no computador.



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