A urna mágica de VG
Se um lado jura ter 17 e o outro trabalha com 15, só falta descobrir onde arrumaram 9 vereadores extras.
A Justiça barrou a tentativa de adiar a eleição da Mesa Diretora e manteve o calendário da Câmara de Várzea Grande. O pedido para empurrar a votação para dezembro foi assinado por cinco vereadores, entre eles Jânio Calistro. Detalhe curioso: em 2014, o próprio Calistro foi eleito para presidir a Mesa com 20 votos. Pelo visto, em política, tem data que envelhece bem e tem data que envelhece mal.
Agora vem a parte em que a calculadora pede exoneração. Lucas Chapéu do Sol, aliado da prefeita Flávia Moretti, aparece com apoio antecipado de 17 vereadores e, se esse número se confirmar, já teria votos suficientes para vencer, porque a Câmara tem 23 parlamentares e a maioria absoluta é 12. Do outro lado, Wanderley Cerqueira, atual presidente e hoje em rota de choque com a prefeita, já declarou ter 100% de apoio para tentar a recondução, enquanto o noticiário também fala em cerca de 15 vereadores na base da prefeita. Traduzindo: a disputa virou uma olimpíada de números elásticos.
No fim, a população olha para essa guerra de placares e faz a pergunta mais simples do mundo: se a Câmara só tem 23 vereadores, como é que a soma dos apoios sai passeando acima disso com tanta tranquilidade? Em vez de convencer no debate, cada grupo parece querer ganhar no grito da calculadora. E aí o eleitor, que já anda cansado, assiste a tudo como quem vê bingo de bastidor: toda hora alguém puxa um número novo, mas ninguém mostra a cartela completa.
Moral da história: antes da eleição da Mesa, talvez a Câmara precise eleger primeiro um professor de matemática. Porque, no ritmo atual, Várzea Grande corre o risco de virar a primeira cidade onde 23 vereadores conseguem apoiar 32 candidaturas ao mesmo tempo. E ainda deve ter gente dizendo que está tudo dentro do regimento.




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