Wanderley rebate Flávia e soma R$ 655 milhões em remanejamentos para negar que Câmara “engessa” Prefeitura
Presidente do Legislativo afirma que a maioria dos projetos do Executivo foi aprovada e contesta responsabilidade da Câmara pela crise financeira.
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), rebateu as acusações da prefeita Flávia Moretti (PL) de que o Legislativo estaria “engessando” a administração municipal e contribuindo para o agravamento da crise financeira da cidade.
Em vídeo divulgado nesta sexta-feira (17), Wanderley apresentou números para defender a atuação da Câmara e afirmou que o Legislativo tem dado condições para que o Executivo administre o orçamento. Segundo o presidente, considerando autorizações concedidas em períodos diferentes, a Prefeitura teria recebido margem equivalente a cerca de R$ 655 milhões em alterações orçamentárias.
O valor citado pelo parlamentar, porém, não corresponde a uma única autorização atual de R$ 655 milhões. A conta apresentada por Wanderley reúne aproximadamente R$ 500 milhões, que ele relaciona à margem de 25% concedida em 2025, e mais de R$ 155 milhões em alterações orçamentárias que, segundo levantamento divulgado por vereadores da Câmara, já teriam sido autorizadas ao longo de 2026.
Wanderley também contestou a afirmação de que projetos enviados pela Prefeitura estariam sendo sistematicamente barrados. Segundo ele, de aproximadamente 50 propostas encaminhadas pelo Executivo, 42 teriam sido aprovadas imediatamente, outras seis retornaram para correções e posteriormente receberam aval. Ainda conforme o presidente, apenas uma proposta foi rejeitada: a que previa aumento da alíquota do ISSQN de 2% para 5%.
O centro do embate está no limite para alterações no orçamento de 2026. A proposta originalmente encaminhada pelo Executivo previa uma margem de até 30%, mas a Câmara aprovou a Lei Orçamentária Anual com limite de 5%. A previsão inicial do orçamento municipal para este ano era superior a R$ 2 bilhões.
A prefeita contesta essa limitação e sustenta que o percentual reduzido dificulta a adequação do orçamento às necessidades da administração. Flávia chegou a ingressar na Justiça contra o dispositivo da LOA que estabeleceu o teto de 5%. A Câmara, por sua vez, defende que a regra amplia a fiscalização do Legislativo sobre as mudanças no orçamento.
Nos últimos dias, o impasse ganhou um novo capítulo. Quatorze vereadores protocolaram pedido de sessão extraordinária para analisar, entre outras matérias, uma proposta que busca ampliar de 5% para 20% o limite de remanejamento e abertura de créditos adicionais.
A crise política se intensificou após Flávia publicar decretos de calamidade financeira na Prefeitura e no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Ao justificar a medida, a gestora afirmou que o município enfrenta graves dificuldades fiscais e citou, entre os problemas, o peso de dívidas acumuladas e o bloqueio de recursos das contas municipais. O Decreto nº 68, publicado em 16 de julho, declara oficialmente situação de calamidade financeira e fiscal na administração direta e indireta do município.
Flávia também acusa Wanderley de dificultar a tramitação de projetos considerados essenciais para áreas como Saúde, Educação e custeio da administração. O presidente da Câmara nega que o Legislativo seja responsável pelo cenário e afirma que o volume de alterações orçamentárias já autorizado demonstra o contrário.
Ao comentar o decreto de calamidade, Wanderley ainda questionou a condução financeira da Prefeitura e afirmou que quer esclarecimentos sobre a aplicação dos recursos municipais. Para ele, os problemas enfrentados nos serviços públicos estariam relacionados à gestão e ao planejamento do Executivo. A declaração representa a versão do presidente da Câmara diante das acusações feitas pela prefeita.
Com as declarações dos dois lados, a disputa entre Executivo e Legislativo passa a ser também uma guerra de números e interpretações sobre o orçamento. Enquanto Flávia sustenta que a limitação dos remanejamentos e a demora na votação de projetos prejudicam a administração, Wanderley afirma que a Câmara já concedeu margem financeira suficiente e rejeita a responsabilidade pela crise enfrentada pelo município.



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