• Várzea Grande, 11/07/2026
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Antero diz ter sido acionado por Pivetta e reafirma proposta contra agressores de mulheres

Pré-candidato afirma que recebeu uma citação judicial e que continuará defendendo a inelegibilidade de autores de violência contra a mulher.


Antero diz ter sido acionado por Pivetta e reafirma proposta contra agressores de mulheres

O ex-senador Antero Paes de Barros, que se apresenta como pré-candidato a deputado federal, publicou um vídeo nas redes sociais afirmando ter recebido uma citação judicial em uma ação movida pelo governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta.

Antero, que exerceu mandato no Senado Federal entre 1999 e 2006, mostrou parte do momento em que foi abordado por um oficial de Justiça em seu local de trabalho.

Segundo o ex-senador, a ação teria como objetivo impedir que ele continuasse falando publicamente sobre uma proposta que pretende apresentar, caso seja eleito deputado federal. O projeto anunciado por Antero prevê tornar inelegíveis pessoas que tenham agredido mulheres.

Durante o vídeo, Antero afirmou que o pedido liminar apresentado no processo foi negado pela Justiça e que a citação recebida serve para que ele apresente sua defesa.

“É um absurdo, mas tudo bem. O oficial de Justiça está cumprindo a obrigação dele e nós vamos encaminhar ao nosso advogado para defender, porque eu quero continuar falando: quem bate em mulher fique inelegível”, declarou.

Diante da própria informação apresentada pelo ex-senador, não havia, naquele momento, uma decisão judicial determinando que ele interrompesse suas manifestações. O Relato MT não teve acesso à íntegra do processo e, por isso, não pode confirmar de maneira independente quais são exatamente os pedidos, fundamentos e argumentos apresentados pelas partes.

Proposta anunciada por Antero

Antero afirmou que, caso seja eleito deputado federal, pretende apresentar como primeiro projeto uma proposta para impedir a candidatura de pessoas acusadas de agredir mulheres.

De acordo com o modelo descrito por ele, o boletim de ocorrência e o exame de corpo de delito seriam utilizados como provas para gerar a inelegibilidade. Antero defendeu ainda que a restrição eleitoral permanecesse mesmo se o acusado fosse posteriormente absolvido pela Justiça.

“Se for absolvido pelo Poder Judiciário, ele deixa de ser preso, mas não fica elegível”, afirmou.

A proposta, segundo o pré-candidato, alcançaria candidatos a vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

Até o momento, porém, não existe um texto legislativo apresentado por Antero. Trata-se de uma intenção anunciada durante sua pré-campanha, o que impede uma avaliação completa sobre a redação, o prazo da inelegibilidade e as garantias processuais que seriam previstas.

A legislação atual estabelece hipóteses de inelegibilidade por meio de lei complementar. A Lei da Ficha Limpa, por exemplo, alterou a Lei das Inelegibilidades e passou a impedir candidaturas em situações como condenações proferidas por órgãos judiciais colegiados.

O modelo anunciado por Antero, ao considerar suficientes um boletim de ocorrência e um exame de corpo de delito, inclusive diante de uma posterior absolvição, deverá enfrentar discussões jurídicas relacionadas ao devido processo legal, ao direito de defesa e à presunção de inocência.

Críticas direcionadas a Pivetta

No vídeo, Antero afirmou que nunca havia citado diretamente o nome de Otaviano Pivetta ao apresentar a proposta. Mesmo assim, declarou que o processo movido pelo governador poderia ser interpretado como uma reação pessoal ao assunto.

Pivetta assumiu o Governo de Mato Grosso em 31 de março de 2026, após a renúncia de Mauro Mendes.

“Com essa ação, eu não posso entender a não ser como tendo vestido uma carapuça sobre algo que aconteceu na vida dele”, declarou Antero, fazendo uma referência indireta a uma antiga controvérsia pessoal atribuída ao governador.

O ex-senador também questionou por que Pivetta seria contrário à discussão do projeto e afirmou que esperava receber apoio do governador para a iniciativa.

Antiga controvérsia não foi detalhada

A declaração de Antero faz referência indireta a relatos antigos envolvendo Pivetta e uma ex-companheira. Entretanto, durante a apuração, o Relato MT não encontrou, em fontes públicas acessíveis, documentação judicial completa que permitisse confirmar com segurança as circunstâncias, as versões apresentadas e o desfecho do episódio.

Por essa razão, a suposta ocorrência não é apresentada nesta matéria como fato comprovado. Qualquer acusação dessa natureza exige a análise dos documentos oficiais, o posicionamento das pessoas envolvidas e a verificação do resultado de eventuais investigações ou processos judiciais.

Lei municipal foi citada como exemplo

Antero também afirmou ter recebido do vereador Netão Benevides a informação de que Nortelândia possui uma lei municipal impedindo que agressores de mulheres ocupem cargos públicos no município.

O pré-candidato elogiou a iniciativa e declarou que pretende ampliar o debate para todo o país por meio de uma proposta relacionada às candidaturas eleitorais.

Ao encerrar o vídeo, Antero afirmou que o processo não impedirá sua atuação e disse acreditar que contará com o apoio de homens e mulheres contrários à violência contra a mulher.

A versão de Otaviano Pivetta e de sua defesa não foi apresentada no vídeo analisado. O espaço do Relato MT permanece aberto para eventual manifestação sobre a ação judicial e sobre as declarações feitas por Antero Paes de Barros.





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