Sérgio Ricardo chama falta de água em Várzea Grande de “vergonha” e diz ter “pena” da cidade
Presidente do TCE-MT criticou histórico de brigas políticas no município e cobrou prioridade ao abastecimento básico para a população
O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo, fez duras críticas à situação do abastecimento de água em Várzea Grande e ao histórico de conflitos políticos no município. Em entrevista nesta quinta-feira (28.05), o conselheiro afirmou que a cidade convive há décadas com disputas entre lideranças políticas, cenário que, segundo ele, tem prejudicado diretamente a população.
Ao comentar os problemas enfrentados pelo município, Sérgio Ricardo disse ter “pena” de Várzea Grande e classificou como inadmissível que uma cidade com 158 anos de existência ainda enfrente dificuldades no fornecimento de água.
“É uma vergonha Várzea Grande não ter água. Não estou falando de uma gestão específica. Estou falando de todas as gestões. Tem bairro em Várzea Grande que fica 30 dias sem água”, declarou.
O presidente do TCE afirmou que o acesso à água deveria ser prioridade absoluta dos gestores públicos. Segundo ele, antes de discutir obras, infraestrutura ou outros investimentos, é necessário garantir o abastecimento básico à população.
“Não dá para discutir qualquer outro assunto se não tiver água. Água para beber, para fazer comida, para lavar roupa, para dar banho nos filhos”, afirmou.
Sérgio Ricardo também atribuiu parte dos problemas enfrentados por Várzea Grande ao histórico de disputas políticas que, segundo ele, marcaram a trajetória administrativa da cidade.
“Eu tenho pena de Várzea Grande. Tenho dó de Várzea Grande. Sempre falo: como Várzea Grande é azarada. É um histórico de briga, é um histórico de desentendimento, é um histórico de improdutividade”, lamentou.
Ao ser questionado sobre os recentes embates entre a prefeita Flávia Moretti (PL) e a Câmara Municipal, o conselheiro afirmou não acompanhar de perto a tramitação dos projetos do Executivo, mas reconheceu que a relação institucional aparenta estar desgastada.
“Eu não conheço bem como estão as tramitações dos projetos da prefeita na Câmara. Eu só vejo que vai mal a relação. E eu lamento muito isso, porque é o povo que sofre”, afirmou.
Sérgio Ricardo comparou o cenário atual aos conflitos políticos registrados em outras épocas no município e citou desentendimentos entre lideranças que passaram pela administração municipal ao longo dos anos. Para o presidente do TCE, a falta de entendimento entre os agentes políticos acaba atrasando soluções para problemas históricos da cidade, principalmente na área do saneamento básico.
Em tom de desabafo, ele disse que, se pudesse fazer apenas um pedido para Várzea Grande, escolheria a universalização do abastecimento de água.
“Se eu pudesse pedir algo para Deus agora, para Várzea Grande, eu pedia só uma coisa: água. Água para Várzea Grande. Porque as pessoas não conseguem dar água para Várzea Grande”, declarou.
O conselheiro destacou ainda que o município possui uma importante fonte hídrica ao lado da cidade, o Rio Cuiabá, e questionou a incapacidade histórica das gestões em resolver o problema.
“Já existe o presente que Deus deu, que é o Rio Cuiabá. Como não conseguem instalar bombas, instalar canos e colocar água na casa das pessoas?”, questionou.
Ao encerrar o assunto, o presidente do TCE afirmou que não vê uma solução rápida para a crise do abastecimento e voltou a cobrar prioridade dos gestores para enfrentar o problema que, segundo ele, afeta diretamente a qualidade de vida dos moradores de Várzea Grande.



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