Operação Silêncio Comprado apreende mais de R$ 100 mil e carros de luxo em investigação sobre o Hospital de MT
Polícia Civil mira suposto esquema de corrupção ligado à gestão do Hospital Municipal Euclides Horst e à tentativa de interferência em CPI
A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (26) a operação Silêncio Comprado, que apura um suposto esquema de corrupção ligado à gestão do Hospital Municipal Euclides Horst, em Campo Novo do Parecis. Durante a ação, foram apreendidos mais de R$ 100 mil. As apreensões aconteceram em Campo Novo do Parecis e em São Paulo.
As ordens judiciais incluem mandados de busca e apreensão, sequestro de bens, bloqueio de valores, medidas cautelares diversas da prisão e quebras de sigilo telefônico e telemático. As determinações foram deferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias, no Polo de Tangará da Serra.
Os mandados são cumpridos nos municípios de Campo Novo do Parecis e Arenápolis, em Mato Grosso, e nas cidades de Barueri e Cotia, em São Paulo. O foco é reunir provas, identificar a extensão dos fatos investigados e preservar o patrimônio público.
Em Campo Novo do Parecis, os policiais apreenderam R$ 70 mil. Em São Paulo, foram apreendidos R$ 40 mil. Entre os veículos recolhidos estão um Volvo XC60, com valor a partir de R$ 500 mil, um jeep e uma Porsche Macan, avaliada em pelo menos R$ 500 mil. Os carros foram apreendidos em São Paulo.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) e apuram a suposta tentativa de interferência nos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada para investigar possíveis irregularidades na gestão do Hospital Municipal Euclides Horst.
Entenda o caso
A CPI teve origem na repercussão de questionamentos sobre o atendimento prestado na unidade hospitalar. As dúvidas aumentaram após a morte de Larissa Pompermayer Ramos, de 29 anos, moradora de Campo Novo do Parecis. Segundo o relato do caso, ela teria apresentado complicações durante um procedimento de parto cesáreo, foi encaminhada para Cuiabá e, depois, veio a óbito. Larissa era arquiteta e urbanista, militante do PT e servidora pública em Campo Novo do Parecis.
A partir desse episódio, familiares e moradores passaram a questionar a estrutura do hospital, a prestação dos serviços, a gestão de pessoal e a regularidade dos contratos de gestão da unidade.
Início da investigação
A apuração da Deccor começou após uma denúncia encaminhada pelo Ministério Público. A denúncia trata da suposta oferta de vantagem indevida para influenciar os trabalhos da CPI e de possíveis irregularidades na execução dos contratos de gestão do hospital.
Entre os pontos investigados estão indícios de pagamentos por serviços que não teriam sido prestados, emissão de notas fiscais fraudulentas ou ideologicamente falsas, movimentação irregular de recursos públicos e possível desvio de valores ligados à administração da unidade.
De acordo com os elementos reunidos até o momento, há indícios, em tese, da prática de crimes contra a Administração Pública, especialmente corrupção ativa. A polícia não descarta a apuração de outros crimes ao longo das diligências.



COMENTÁRIOS