Caravana lulista flopa em MT e expõe vazio das pré-candidaturas de esquerda
Tour da pré-candidata Natasha Shlessarenko ao lado de Fávaro reúne poucos apoiadores e levanta dúvidas sobre a força da esquerda no estado
A Caravana "Mato Grosso para Todos", criada para impulsionar a pré-candidatura ao governo do estado da médica Natasha Shlessarenko (PSD), entrou em campo com discurso de proximidade, agenda cheia e promessa de mobilização. O resultado, porém, ficou aquém do enredo construído nos bastidores. Em diferentes pontos do estado, a comitiva foi recebida por um público modesto, formado por apoiadores fiéis e por aquilo que o jargão político chama, sem rodeios, de "gatos pingados".
Ao lado de Natasha, filha da ex-senadora Serys Shlessarenko, o roteiro contou com a presença do senador Carlos Fávaro (PSD), ex-ministro da Agricultura no governo Lula (PT). A dupla, que tenta encorpar o palanque governista alinhado ao Planalto, apostou em uma narrativa de inclusão e diálogo com diferentes regiões. Na prática, encontrou pela frente um Mato Grosso menos receptivo ao discurso da esquerda do que sugerem os discursos oficiais.
O retrato mais eloquente veio de Barão de Melgaço. Um ato na Câmara de Vereadores reuniu cerca de 25 pessoas. Não foi um comício, não foi um palanque de praça, mas o número pequeno serviu como termômetro do tamanho da empreitada. Quando a fotografia oficial precisa caber em poucos cliques para não denunciar o espaço vazio ao redor, algo no projeto já começa a soar destoante.
O cenário desenhado pela caravana convida a uma leitura mais fria. Mato Grosso é, há ciclos eleitorais, um território de identidade conservadora, com forte presença do agronegócio, do empreendedorismo e de pautas tradicionalmente associadas à direita. Tentar implantar, em terra de perfil tão definido, uma agenda atrelada ao governo federal exige mais do que carreata, faixa e um ministro convertido em senador. Exige conexão real com o eleitor, e essa conexão, pelo que se viu nas primeiras paradas, ainda não apareceu.
Há quem diga, nos bastidores, que a caravana é apenas o aquecimento e que o motor ainda vai engrenar. Pode ser. Política é movimento, e cenário se constrói. Mas, pelo andar da carruagem, a tendência é que a esquerda enfrente um desempenho difícil nas urnas em Mato Grosso, e que o palanque lulista precise de algo mais robusto do que boas intenções em um estado onde a direita virou quase paisagem.
No fim das contas, o recado das ruas parece simples. Caravana sem povo não é caravana, é passeio. E passeio, em ano pré-eleitoral, costuma render mais foto do que voto.



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