• Várzea Grande, 03/03/2026
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Flávia Moretti, a prefeita que não manda?

Entre o discurso e a prática, Várzea Grande vive a sensação de um governo com muitas mãos e pouca direção.

Bastidores da Política Relato MT
Flávia Moretti, a prefeita que não manda? Imagem Ilustrativa

A cidade elegeu uma promessa. O palanque vendeu uma ruptura. As redes sociais exibiram firmeza. As entrevistas garantiram pulso. O discurso apontava um caminho claro: enfrentar os velhos grupos, virar a chave, organizar a casa e resolver o que ninguém resolveu, especialmente a água.

Só que, passado o barulho da campanha, a pergunta que começa a ecoar nos bastidores e na rua é simples e incômoda: Flávia Moretti é prefeita de fato, ou apenas o rosto de uma gestão que não obedece a própria caneta?

Porque uma coisa é o que se diz. Outra é o que se entrega. E, quando as entregas não chegam, o povo vai farejando o que ninguém quer admitir em voz alta: a máquina parece ter vida própria.

O cenário político que se desenha hoje tem um detalhe que chama atenção até de quem não gosta de política: alianças improváveis, aproximações com grupos que antes eram tratados como o problema, e um núcleo de sustentação que, para muitos, se parece demais com o “antes” que a campanha prometeu derrotar.

Críticos apontam que parte dos rostos que hoje circulam com influência na gestão eram, ontem, figuras alinhadas aos ex-comandantes da cidade, grupos que a prefeita afirmava combater. A leitura que cresce é a de uma inversão: antigos adversários viraram defensores de primeira mão, e aliados dos dias difíceis passaram a ser tratados como coadjuvantes. Para alguns, serviram apenas para eleger uma candidatura que a cidade ainda tentava entender.

Na campanha, a personagem era conhecida por rótulos. “A mulher.” “Anti Kalil.” “Anti Campos.” “A candidata de fulano.” “A que vai resolver a água.” Apelidos que, para muita gente, faziam sentido naquele momento de disputa. Mas, na prática, a impressão é de que o enredo mudou e mudou rápido.

Há quem diga que, hoje, a gestão abriga forças políticas contraditórias. Que o arco de alianças contempla partidos que foram adversários diretos no processo eleitoral. Que existe um governo onde a fidelidade não é necessariamente premiada, e a proximidade não nasce do que foi defendido na campanha, mas do que se negocia no pós-eleição.

E aí vem outro ponto que não dá para ignorar: o desalinhamento interno. O amor político exibido ao lado do vice, para quem assistiu, parece ter durado até a foto da vitória. Depois, vieram sinais públicos de distanciamento, ruídos e gestos que alimentaram a dúvida sobre quem está realmente no comando e se existe comando.

Na Câmara, a instabilidade virou assunto recorrente. Primeiro, teria havido orientação para apoiar uma composição. Depois, mudança de posição. Depois, tentativa de reverter o jogo. Para o eleitor comum, que não acompanha o xadrez político, isso se traduz numa impressão prática: falta rumo.

E quando falta rumo, aparece a pergunta mais venenosa de todas: se não é a prefeita quem manda, quem manda então?

O comentário que circula, e que cresce conforme a crise cotidiana se expõe, é que há “prefeituras paralelas” dentro do Executivo. Gente que manda por área. Gente que decide por orçamento. Gente que ordena e desordena. Uma gestão com muitos centros de poder, onde cada secretaria vira um feudo e a prefeita vira uma assinatura disputada.

Se isso é verdade ou não, o fato é que a cidade sente o efeito de uma casa desorganizada. E quando a casa não está organizada, a ponta sofre.

Ruas esburacadas. Reclamações de serviços básicos. Narrativas de pagamentos atrasados. Empresas esticando a corda. Judicializações interferindo. A cidade suja, o povo irritado, e a sensação de que falta alguém para bater o martelo, assumir o custo político e fazer o básico funcionar.

No meio disso tudo, a população começa a temer o pior: que uma gestão instável, contraditória e sem comando acabe abrindo caminho para a volta do grupo que sempre dominou a cidade, justamente aquele que a prefeita dizia que enfrentaria.

E a pergunta final, a que ninguém responde com clareza, é a mesma que a rua já faz sem cerimônia: qual é o segredo? Qual é a forma de administração?

Flávia não manda mesmo em nada?  

Flávia está presa a compromissos que não consegue honrar?  

Flávia se iludiu com o poder?  

Flávia se esqueceu das origens?  

Ou Flávia sabe exatamente o que está acontecendo e a conta é apenas do povo, que paga a desorganização, a indecisão e o preço da política?

No fim, Várzea Grande não quer personagem. Quer gestão. Quer comando. Quer resultado. E, do jeito que está, a sensação é a de uma cidade que procura a prefeita na prática e encontra apenas o cargo no papel.




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