35 trabalhadores de MG são resgatados de fazenda de algodão em MT com alojamentos cercados por arame farpado
Fiscalização achou empregados em contêineres cercados por grades, sob vigilância e expostos a agrotóxicos
Trinta e cinco trabalhadores foram resgatados de uma fazenda de algodão em Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, após uma fiscalização identificar condições análogas à escravidão. Segundo a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Mato Grosso (SRTE-MT), os empregados estavam alojados em contêineres cercados por grades e arame farpado, sob vigilância permanente.
A operação foi realizada por auditores-fiscais do trabalho, com apoio da Polícia Federal. Os trabalhos duraram cinco dias e terminaram nesta sexta-feira (12).
Os trabalhadores haviam sido recrutados em municípios do interior de Minas Gerais e atuavam no controle manual de plantas daninhas na lavoura. Durante a fiscalização, os agentes constataram condições degradantes de trabalho e de alojamento, além de indícios de restrição à liberdade de locomoção.
De acordo com a SRTE-MT, os empregados eram acomodados em contêineres de cerca de 2,40 metros de largura por 6 metros de comprimento, onde chegavam a dormir até nove pessoas. As estruturas ficavam em uma área cercada por grades e arame farpado.
Outro problema apontado foi a exposição direta a agrotóxicos. Segundo relatos dos trabalhadores, aeronaves pulverizavam a lavoura enquanto eles seguiam trabalhando. Também houve denúncias de aplicações próximas aos alojamentos.
Vários empregados relataram sintomas que indicam intoxicação aguda por agrotóxicos, como náuseas, falta de ar, irritação e queimaduras na pele. A situação era agravada porque o trabalho era manual, com os funcionários arrancando plantas daninhas com as próprias mãos, sem equipamentos de proteção individual (EPIs).
A fiscalização também encontrou condições precárias de higiene. Perto dos alojamentos havia forte odor de matéria orgânica em decomposição e grande quantidade de moscas. Os banheiros estavam mal conservados e o sistema de aquecimento de água era considerado insuficiente para todos.
Não havia ainda estrutura adequada para lavar as roupas usadas no trabalho. No campo, os empregados não tinham acesso a banheiros e precisavam fazer as necessidades fisiológicas na própria lavoura, sem água corrente, sabão ou papel higiênico.
As refeições também eram feitas no meio da plantação, sem refeitório, mesas, assentos ou proteção contra o sol. A água para consumo não tinha copos individuais ou descartáveis.
Após o resgate, a Auditoria-Fiscal do Trabalho formalizou o procedimento e garantiu aos trabalhadores o acesso às medidas de proteção previstas em lei, incluindo o pagamento das verbas trabalhistas devidas e a emissão das guias para habilitação ao seguro-desemprego.



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