Flávia abre espaço para diálogo com Wanderley, mas vincula trégua à votação de projetos
Prefeita de Várzea Grande diz que não recusa conversa intermediada por Pivetta, porém exige cumprimento de acordos e pauta para as propostas do Executivo na Câmara.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), disse que não se opõe a sentar à mesa com o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), em um encontro que teria o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) como mediador. Ela, porém, colocou uma condição para qualquer “pacificação” entre os Poderes: o avanço das propostas do Executivo no Legislativo.
A declaração veio nesta segunda-feira, em entrevista à imprensa, quando Flávia foi questionada sobre a fala recente de Pivetta. “Eu nunca disse não ao diálogo com o Wanderley Cerqueira. Eu só quero que ele cumpra o que promete”, afirmou a prefeita.
O governador havia admitido a possibilidade de acatar uma sugestão do deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) e buscar uma aproximação entre a prefeita e o presidente da Câmara. “Nada impede que eu os convide para uma conversa. Eu conheço a Flávia e tenho boa impressão de tudo o que conheço nela. Conheço pouco, bem menos, o presidente da Câmara. Mas, se o deputado Júlio Campos sugeriu, vou seguir a sugestão dele e fazer isso”, declarou Pivetta.
Embora afirme que mantém as portas abertas, Flávia reclamou do que considera quebra de acordos políticos costurados em 2025. “Por tudo o que a gente alinhou e conversou, ele [Wanderley] não cumpriu a governabilidade. E continua sem cumprir”, criticou a prefeita, que tem protagonizado seguidos embates com o comando do Legislativo municipal.
Ao ser perguntada se a conversa poderia encerrar o conflito político na cidade, diante da insatisfação da população, Flávia admitiu o desgaste. “Eu concordo com o povo. Não é dessa maneira que a gente quer governar, principalmente eu no Executivo. Mas o presidente da Câmara insiste em discussão e não coloca pauta”, disse.
Para sustentar a cobrança, ela apontou propostas da gestão que, segundo afirma, continuam sem análise dos vereadores. “São 27 projetos. Quais dos meus 27 projetos estão na pauta de amanhã? Não tem nenhum. Meu líder, Bruno Rios, vai pedir inclusão de pauta e vamos ver se ele [Wanderley] vai permitir, porque isso cabe ao presidente da Câmara”, desafiou.
Ao final, a prefeita reforçou que enxerga a trégua como uma via de mão dupla. “Se ele quer a paz, também precisa colocar os projetos do Executivo na Câmara para votar”, concluiu.



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