Padrasto é indiciado por abusar da enteada por 15 anos seguidos; mãe não impediu crimes
Investigação aponta abusos sexuais contínuos desde os 4 anos da vítima, além de negligência grave, fome e maus-tratos contra outras crianças da família
A Polícia Civil concluiu, nesta sexta-feira (22), o inquérito que apurou crimes de estupro de vulnerável e maus-tratos contra crianças e adolescentes em Confresa. A investigação foi conduzida pelo Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher e Vulneráveis da delegacia do município e durou apenas cinco dias.
Segundo a apuração, uma jovem, hoje com 19 anos, era abusada sexualmente pelo padrasto desde os quatro anos de idade. Isso significa que a violência se estendeu por cerca de 15 anos, de forma contínua, com ameaças, agressões físicas e intimidação.
Além da violência sexual, os policiais identificaram graves violações contra os demais filhos da família, incluindo duas crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não verbal, de 6 e 11 anos.
Relatórios técnicos, oitivas e exames apontaram que as vítimas viviam em situação severa de negligência. De acordo com a investigação, havia privação de alimentos, falta de medicamentos básicos, agressões físicas frequentes e condições extremas de insalubridade dentro de casa.
Nas primeiras diligências, a equipe prendeu em flagrante o principal investigado por posse ilegal de arma de fogo e munições. Foram apreendidas armas, munições de diversos calibres e armamento mantido em local de fácil acesso na residência, expondo as crianças a risco.
Mesmo após a liberação do investigado em audiência de custódia pelos crimes ligados às armas, a Polícia Civil seguiu com a apuração dos crimes sexuais e da violência doméstica, concluindo o inquérito no prazo de cinco dias.
Com base nas provas, a autoridade policial indiciou o padrasto pelos crimes de estupro de vulnerável, de forma continuada, e maus-tratos. A mãe das vítimas foi indiciada por estupro de vulnerável e maus-tratos na modalidade omissão imprópria, já que a investigação apontou que ela tinha conhecimento das violências e deixou de agir para proteger os filhos.
Para garantir a integridade física e psicológica das vítimas, foram representadas medidas protetivas de urgência, já deferidas pela Justiça, que proíbem qualquer aproximação dos investigados. Os autos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.



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