Quadrilha se passa por diretor e aplica golpe de quase R$ 200 mil
Grupo usava foto de executivo em aplicativo de mensagens para enganar setor financeiro de empresas; operação cumpre 16 prisões em Cuiabá e Várzea Grande
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre, na manhã desta segunda-feira (8.6), mandados judiciais contra um grupo criminoso especializado em golpes eletrônicos. A ação faz parte de uma operação interestadual deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, voltada para desarticular o chamado golpe do "Falso Executivo".
No total, são 87 ordens judiciais, sendo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão, cumpridos nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte. As contas bancárias ligadas aos investigados também devem ser bloqueadas.
Em Mato Grosso, o trabalho é coordenado pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá. No estado, são cumpridos 32 mandados de busca e apreensão e 16 de prisão, com alvos na capital e em Várzea Grande.
Segundo as investigações, o grupo causou prejuízo de mais de R$ 193 mil a uma empresa do setor industrial no Rio Grande do Sul. Os criminosos usavam aplicativos de mensagens para se passar por executivos e convencer funcionários do setor financeiro a fazer transferências para contas controladas pelo bando.
A fraude que deu início às apurações aconteceu em 2025. Uma assistente financeira de uma indústria recebeu mensagens de um número que exibia a foto do presidente da empresa. Como o executivo estava em viagem e costumava pedir pagamentos por mensagem, a funcionária não percebeu nada de errado e fez as transferências indicadas.
Dois dias depois, ao notar que os valores eram altos e haviam sido pedidos em pouco tempo, ela desconfiou. Ao checar o número usado nas conversas, descobriu que ele não era o telefone verdadeiro do presidente.
A investigação apontou que o golpe foi executado a partir de Mato Grosso, principalmente da região de Cuiabá. Depois, o dinheiro era repassado a outros criminosos em outro estado. As apurações revelaram uma estrutura organizada, com funções divididas entre os integrantes. Entre eles estão os "conteiros", que cedem contas bancárias para receber o dinheiro do crime; os "tripeiros", que recrutam esses donos de contas em troca de comissão; e os gerentes do esquema.
De acordo com a polícia, o grupo usava uma estratégia de pulverização financeira para dificultar o rastreamento dos valores. O dinheiro era dividido rapidamente e enviado para dezenas de contas em diferentes estados, muitas delas ligadas a instituições financeiras digitais menores.
"A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema", explicou o delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.
A delegada responsável pelas investigações, Luciane Bertoletti, afirma que esse tipo de golpe está cada vez mais comum no ambiente corporativo. Segundo ela, os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários com acesso ao setor financeiro e usam fotos, nomes e informações públicas para criar perfis falsos convincentes.
A Polícia Civil orienta que as empresas adotem protocolos rígidos de confirmação para qualquer pedido de transferência, especialmente quando houver troca de contas, pagamentos urgentes ou valores altos. A recomendação é que toda movimentação importante seja confirmada por mais de um canal e, quando possível, por contato direto com o responsável.
A ação integra o planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para 2026, por meio da Operação Pharus, voltada ao combate de grupos especializados em fraudes eletrônicas.



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