Cattani defende investigação e punição em caso que cita Faissal
Deputado do PL diz não conhecer detalhes do inquérito, mas afirma que qualquer fraude ao erário precisa ser apurada e responsabilizada
O deputado estadual Gilberto Cattani (PL) afirmou que as apurações da Operação Gemini devem seguir em frente e que os responsáveis, caso existam, sejam punidos. A declaração foi dada ao comentar a situação do colega de partido, o deputado Faissal Calil (PL), citado na investigação da Polícia Federal (PF) sobre um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Em entrevista nesta segunda-feira (8), Cattani disse não ter acesso ao conteúdo do inquérito e desconhecer os detalhes do caso. Mesmo assim, defendeu que toda denúncia seja analisada pelas autoridades competentes.
"Eu não sei qual que é situação, não tenho conhecimento do inquérito policial em si, não sei te dar detalhes disso, mas eu tenho uma coisa para dizer: que seja investigado. Eu acho que se tem alguma denúncia, alguma coisa, tem que investigar e onde tiver um culpado de qualquer tipo de fraude ao erário público tem que ser culpado", declarou.
O parlamentar reforçou que mantém a mesma posição diante de qualquer investigado e disse que o dever dos agentes públicos é servir à população.
"Essa é minha posição sempre. Não importa quem seja, né? Eu acho que nós temos que ter coerência e que nós temos que defender o interesse do cidadão mato-grossense. Para isso que nós fomos eleitos. O que passar disso não tem meio aval, de maneira nenhuma, em qualquer âmbito que seja", completou.
Deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), a Operação Gemini apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais que envolveria o desembargador afastado do TJMT, Dirceu dos Santos. Além do magistrado, são alvos da investigação o deputado Faissal Calil e o advogado Bruno Castro de Oliveira.
De acordo com a PF, o trabalho teve início a partir de dados retirados de celulares, de relatórios de inteligência financeira e de informações trocadas com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). As apurações indicam que Dirceu dos Santos teria comandado um esquema de ocultação de patrimônio e de recursos, usando pessoas próximas para movimentar dinheiro e bens.
Ainda segundo a investigação, Faissal é apontado como um dos principais operadores do grupo. Ele teria ajudado na negociação de vantagens indevidas, na quitação de dívidas familiares e em negócios imobiliários feitos por meio de terceiros, os chamados "laranjas".
A análise financeira também identificou depósitos e saques em espécie que passariam de R$ 3,2 milhões, além de repasses sem comprovação de negócio vindos de empresas do agronegócio que tinham disputas por terras em tramitação no Tribunal de Justiça.
Faissal nega qualquer participação no esquema. À imprensa, o deputado afirmou que não mantém relação com Dirceu dos Santos desde que deixou o gabinete do magistrado, em 2018, e disse confiar que as apurações vão esclarecer os fatos. Durante a operação, ele foi alvo de mandado de busca e apreensão e teve o celular recolhido pela Polícia Federal.



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