Polícia Civil desarticula facção do tráfico e bloqueia mais de R$ 3 milhões em Mato Grosso
Operação Vinculum Sanguinis mira grupo que levava cocaína da fronteira com a Bolívia até o norte do estado e prende três pessoas
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou na manhã desta sexta-feira (22) uma grande operação contra uma facção criminosa investigada por transportar cocaína da região de fronteira com a Bolívia até cidades do norte do estado. A ação, batizada de Operação Vinculum Sanguinis, mobilizou equipes em Sinop, Cláudia, Cuiabá e Várzea Grande, com o objetivo de desmontar a estrutura financeira e logística do grupo.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Sinop. Segundo a apuração, a organização atuava no tráfico de drogas entre estados e ainda usava empresas e familiares para esconder patrimônio e lavar o dinheiro vindo das atividades ilegais.
Ao todo, a Justiça expediu 23 ordens judiciais, entre elas um mandado de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e bloqueios bancários que passam de R$ 1,2 milhão. Houve ainda o sequestro de imóveis e veículos ligados aos investigados. O valor total dos bens atingidos pelas medidas supera R$ 3,2 milhões.
Durante o cumprimento das ordens, os policiais apreenderam mais de 25 tabletes de pasta base de cocaína, além de dinheiro em espécie, cujo total ainda está sendo contabilizado. Três pessoas foram presas: uma por mandado judicial e duas em flagrante por tráfico de drogas.
De acordo com as investigações, o grupo usava uma extensa rota entre Pontes e Lacerda, cidade na faixa de fronteira, e a região de Sinop. O trajeto, de mais de 700 quilômetros, era utilizado para o transporte contínuo de cocaína e pasta base.
A apuração começou em outubro de 2025, após uma prisão em flagrante no município de Cláudia, quando dois suspeitos foram detidos com entorpecentes. A partir daquele caso, a Polícia Civil identificou uma organização estruturada, com divisão de funções e atuação em diferentes cidades de Mato Grosso.
As investigações também apontaram que familiares dos integrantes eram usados como “laranjas” para movimentar dinheiro e esconder bens. Empresas dos setores de segurança eletrônica e metalurgia, em Cuiabá e Várzea Grande, passaram a ser alvo das medidas judiciais após suspeitas de ligação com o esquema de lavagem de dinheiro.
Entre os bens sequestrados estão apartamentos, terrenos e uma residência avaliados em mais de R$ 2 milhões, valor que pode ser ainda maior pela estimativa de mercado. A Justiça determinou o bloqueio até de patrimônios registrados em nome de terceiros ligados aos investigados.
O delegado Eugênio Rudy Júnior, responsável pelo caso, afirmou que a operação revelou uma organização criminosa altamente estruturada e com forte vínculo familiar entre seus membros. Segundo a Polícia Civil, o nome da operação faz referência justamente a essa ligação entre os integrantes: “Vinculum Sanguinis”, expressão em latim, significa “laço de sangue”.
A ofensiva integra o planejamento estratégico da Polícia Civil dentro da Operação Pharus, ligada ao programa Tolerância Zero, que intensifica o combate às facções em Mato Grosso. A ação também faz parte da sexta fase da Operação Narke, coordenada nacionalmente pela Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (Renarc), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.



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