Vereador protocola representação contra Rosy Prado por suposto furo de fila na saúde pública
Documento enviado à Câmara Municipal, ao MPF, à Polícia Federal, ao Ministério Público estadual e ao TCE-MT acusa parlamentar de usar o cargo para antecipar exames
O vereador Kleberton Feitoza Eustáquio protocolou uma representação contra a vereadora Rosemary Prado, ambos de Várzea Grande, sob a acusação de que ela teria usado o cargo para furar a fila do atendimento na saúde pública. O documento foi encaminhado a cinco instituições: a Câmara Municipal de Várzea Grande, o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).
Segundo a representação, a denúncia partiu de uma manifestação anônima instruída com documentos do SISREG, o sistema federal que organiza as filas do SUS, e do Portal de Transparência da Regulação. Com base nesses dados, o autor afirma que a parlamentar teria conseguido exames com rapidez incomum, enquanto outros moradores esperam anos por procedimentos semelhantes.
O texto cita quatro casos. De acordo com o documento, uma tomografia de crânio teria sido feita no mesmo dia do pedido; três ressonâncias magnéticas, em menos de dez dias; uma endoscopia, em seis dias; e uma consulta oftalmológica, em onze dias, por meio do mecanismo chamado de "reserva técnica". O representante sustenta que, no mesmo período, parte da população aguardava na fila desde 2019.
Para o autor da representação, a conduta feriria os princípios da impessoalidade e da moralidade na administração pública e poderia configurar improbidade administrativa, além de possíveis crimes. Como o SISREG é um sistema federal e o SUS recebe recursos da União, ele defende que o caso também seja analisado pela Polícia Federal e pelo MPF.
Entre os pedidos, a representação solicita que a Câmara avalie a abertura de processo por quebra de decoro, que pode levar à perda do mandato; que o MPF e a Polícia Federal instaurem inquérito; que o Ministério Público estadual ajuíze ação por improbidade; e que o TCE-MT fiscalize o uso das "reservas técnicas" na Secretaria de Saúde. O documento também pede, em caráter urgente, a preservação dos registros de acesso ao sistema.
É importante destacar que se trata de uma representação, ou seja, de acusações que ainda serão analisadas pelos órgãos competentes.
Em nota, Rosy Prado afirma que foi procurada ao longo do dia por diversos veículos de comunicação, entre sites, jornais e blogs, que pediram seu posicionamento sobre o caso. A vereadora informou que, até o momento, não teve acesso formal ao conteúdo da denúncia e que tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa.
Mesmo assim, a parlamentar classificou a versão apresentada pelo vereador como infundada e inverídica. Na nota, ela declarou que Cleber Feitosa deverá responder por qualquer denúncia falsa apresentada contra ela.
Rosy Prado também afirmou que o vereador Cleber Feitosa já responde nas esferas civil, administrativa e criminal por supostas ofensas e ameaças dirigidas a ela. A parlamentar disse que sempre pautou sua atuação pública pela probidade.
Por fim, a vereadora afirmou que vem sendo alvo de uma série de ataques de colegas de parlamento e de servidores lotados na Câmara Municipal. Segundo ela, essa movimentação seria uma forma de retaliação à oposição que fez durante a eleição da mesa diretora. Rosy Prado declarou que pretende se manter firme na defesa dos interesses da população de Várzea Grande e na busca pela responsabilização de quem, segundo ela, a constrange, difama, ameaça e calunia.
Até a publicação desta matéria, o vereador Cleber Feitosa não havia se manifestado sobre as declarações.



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